Deputado Romanelli critica alta taxa de juros que impede crescimento salarial
O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) afirmou nesta segunda-feira (22) que a elevada taxa de juros Selic, atualmente em 15%, está impedindo o crescimento real dos salários dos trabalhadores brasileiros. "Temos um excesso de vagas de emprego, mas os salários estão aquém do esperado", disse Romanelli durante a sessão de prestação de contas da gestão fiscal do segundo quadrimestre deste ano pela Secretaria Estadual da Fazenda na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).
Apesar de o Paraná ter alcançado um novo recorde de investimentos, com mais de R$ 2,3 bilhões liquidados entre janeiro e agosto, o que representa um aumento de 49% em relação ao mesmo período de 2024, os salários não acompanham essa tendência. O Estado tem hoje mais de 23 mil vagas abertas nas agências do trabalhador, com uma taxa de desemprego de 3,8% (pleno emprego), enquanto o país registra 5,8%. A quantidade de pessoas trabalhando com carteira assinada no Paraná chegou a 3.321.347, e no país, a cerca de 48,4 milhões, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego.
Romanelli destacou que, desde 2015, há uma forte tendência migratória de mão de obra qualificada para fora do país. "O salário do comércio e dos serviços é pouco superior ao salário mínimo, e o da indústria não ultrapassa significativamente os R$ 2 mil", observou. O Paraná tem o maior salário mínimo regional, entre R$ 1.984,16 e R$ 2.275,36, enquanto o piso nacional é de R$ 1.518. Segundo o Dieese, o salário mínimo nacional deveria ser de aproximadamente R$ 7 mil para atender às necessidades básicas do trabalhador.
"A manutenção da taxa de juros em 15% pelo Banco Central trava o aquecimento pleno da economia e, consequentemente, dos salários", criticou Romanelli. Ele apontou que setores como a construção civil, um grande empregador, estão desacelerados, o que evidencia os impactos negativos na economia. No Paraná, a construção civil criou mais de 10 mil empregos de janeiro a maio deste ano, mas a queda na arrecadação de impostos, como o ICMS, indica uma desaceleração econômica.
Romanelli questionou a leitura do Banco Central sobre a economia e exigiu uma explicação mais convincente para a manutenção da taxa de juros em 15%, considerando o cenário de muitas vagas de emprego e salários baixos. "Queremos entender por que temos tantas vagas de emprego, mas os salários continuam baixos", finalizou o deputado.